27 de setembro de 2009

Quarto de hotel

A obra de Edward Hopper (1882-1967) retrata solidão e silêncio, e não é diferente com esse quadro quase quadrado, de 1,50 por 1,60 m, representando uma mulher, semi-nua, em um quarto de hotel, lendo um livro sentada sobre a cama.

Não dá para deixar de imaginar o que ela estaria pensando, que livro está lendo, por que está no apertado quarto de hotel, com as malas ao lado da cama, como quem vai ficar pouco tempo.



Anunciação de Van Eyck

O Museu Thyssen-Bornemisza, junto com o Prado e o Reina Sofia, formam o trio de grandes museus de Madrid, todos na região do Paseo del Prado. As duas coleções lá abrigadas são impressionantes: uma iniciada pelo Barão Thyssen-Bornemisza (1875-1947) e ampliada por seu filho Hans Heinrich e outra, menor mas não menos interessante, que leva o nome da mulher de Hans Heinrich, a ex-Miss Espanha Carmen Cervera (Baronesa Bornemisza).

As coleções têm desde pintura européia dos sécs. XIV e XV até artistas pop, passando pelos impressionistas e pós-impressionistas. Mas queria falar das duas obras de que mais gostei. A "Anunciação", de Van Eyck, um pequeno díptico que me pareceu à primeira vista uma caixinha de vidro com duas estátuas, é uma pintura de técnica impressionante, na qual a Virgem Maria e o Anjo são pintadas em tons monocromáticos, e o resultado é belíssimo.

Jan Van Eyck (1390?-1441) era um detalhista, e com imensa paciência e domínio da técnica, ia acrescentando cada detalhe ao quadro até que este se tornasse como um espelho do mundo real - basta ver o impressionante retrato dos Arnolfini (National Gallery, Londres). Era bem o oposto de seus contemporâneos do Sul da Europa, que iniciavam seus trabalhos por linhas e perspectiva, usando um método de representação da natureza "com precisão quase científica".

Van Eyck representou outras imagens como estátuas; é o caso de S. João Batista e S. João Evangelista no painel para o altar de Ghent (1432), que aparecem em meio a outras imagens "reais". Van Eyck foi um grande desenvolvedor da técnica da pintura, e tido como o criador da pintura à óleo, que lhe permitia obter sombras e transições de cores delicadas, ao contrário da técnica então dominante, a têmpera, que secava muito rápido.




A outra é o "Quarto de Hotel" (1931), de Edward Hopper, que vou comentar no próximo post.