23 de novembro de 2008

London Song, por Ray Davies

Ray Davies, o fundador, cantor e compositor do The Kinks, autor de sucessos como You Really Got Me, é para muitos o "Padrinho do Brit Pop".  Fez músicas famosas sobre Londres, e em Waterloo Sunset diz que "não preciso de amigos / contanto que contemple o por do sol em Waterloo / eu estou no Paraíso".

Mas tem essa outra música dele sobre Londres, que fala de um monte de coisas da cidade, e encontrei no You Tube essa montagem, muito bem feita, que mostra os lugares que ele canta, e faz referência aos temas dos post anteriores de hoje. Ele fala de William Blake, autor do retrato nada positivo de Londres no final do séc. XVIII, e de Highgate, a colina (e bairro) de onde, diz, num dia claro, se pode ver Leicester Square. Veja o vídeo!





There's a room in a house in a street in a manor in a borough
That's part of a city that is generally referred to as London
It's a dark place, a mysterious place
And it is said that if you're born within the sound of Bow-Bells
You have the necessary qualifications to be christened a Londoner

[It's a cruel place, it's a hard place]

But when you think back to all the great Londoners
William Blake, Charles Dickens, Dick Whittington,
Pearly kings, Barrow boys, Arthur Daley, Max Wall
And don't forget the Kray twins

But if you're ever up on Highgate Hill on a clear day
You can see right down to Leicester Square [London, London]
Crystal Palace, Clapham Common, right down to Streatham Hill
North and South, I feel that I'm a Londoner still [London, London]

Chiswick Bridge to Newham and East Ham
Churchbells ring out through the land
You were born in London, England

[London, London, through the dark alley-ways and passages of London]

And there's a tap by a reservoir, leading to a stream,
That turns into a river estuary that eventually opens to the sea
[London, London]
And there's a docker by a wharf, sending cargo overseas,
Unloading foreign trade from a large ocean vessel
In the mighty metropolitan port of London

[London, London, through the dark alley-ways and passages of London]

When I think of all the Londoners still unsung
East-enders, West-enders, Oriental-enders
Fu Manchu, Sherlock Holmes, Jack Spock, Henry Cooper,
Thomas A'Becket, Thomas More, and don't forget the Kray twins

There's a part of me that says "Get out"

O verdadeiro mapa do metrô de Londres

O diagrama do metrô de Londres foi criado em 1931 por Harry Beck, um empregado do London Underground, que o desenhou em seu tempo livre.

Antes de Beck, o mapa tinha distâncias precisas. Hoje é mais fácil de ser consultado, mas não corresponde em nada à realidade:


fonte: wikimedia

Veja agora o mapa com as distâncias e trajetos reais:






Lugares - Highgate

London, por William Blake (1757-1827)


I wander through each chartered street,
Near where the chartered Thames does flow,
A mark in every face I meet,
Marks of weakness, marks of woe.

In every cry of every man,
In every infant's cry of fear,
In every voice, in every ban,
The mind-forged manacles I hear:

How the chimney-sweeper's cry
Every blackening church appals,
And the hapless soldier's sigh
Runs in blood down palace-walls.

But most, through midnight streets I hear
How the youthful harlot's curse
Blasts the new-born infant's tear,
And blights with plagues the marriage hearse.

16 de novembro de 2008

Londres abandonada

Derelict London (Londres Abandonada) é o nome do site criado por Paul Talling, um acervo impressionante de imagens de lugares abandonados na cidade de Londres. O visual e a navegação do site são horrorosos, eu diria mesmo "derelict", fazendo juz ao propósito de Talling, mas as fotos são muito interessantes.

Dividido em seções como Pubs, Cemitérios, Casas, Veículos, entre muitas outras, lá podemos encontrar imagens impressionantes de prédios abandonados, e há até mesmo uma seção de Pessoas - sim, pessoas abandonadas - onde vemos fotos de bebuns e mendigos, em meio a punks, chavs e outras figuras estranhas.

Como diz o próprio autor, não se trata de uma compilação de imagens turísticas convencionais - pois difícilmente precisamos de mais uma dessas - e sim de uma mostra da vida diária em Londres.

Há uma seção especial dedicada à Battersea Power Station, ao sul do Tâmisa, transformada em ícone pop na capa do disco Animals, do Pink Floyd. O edifício, fechado desde 1983, ficou abandonado por anos, mas suas quatro chaminés características permanecem, preservando a lembrança daquela que foi um dia a maior construção de tijolos da Europa. Eu tirei a foto abaixo em fevereiro de 2008, na época em que a usina abandonada foi usada como cenário de Batman - The Dark Knight. Na ocasião, moradores das redondezas acharam que estava acontecendo um ataque terrorista no local, mas era apenas uma explosão feita pela equipe de filmagem.

Paul Talling acabou de lançar um livro, esse bem cuidado e bonito, com fotos de seu projeto. Vale a pena dar uma olhada.


Tempo

Como passa rápido o tempo! Eu não entendia muito bem quando meus pais me falavam isso, e nem ligava. Mas é verdade.  Sinto, como Mário Faustino, que o mês presente me assassina.
















Sinto que o mês presente me assassina,
Os derradeiros astros nascem tortos
E o tempo na verdade tem domínio
Sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio
Amen, amen vos digo, tem domínio
E ri do que desfere verbos, dardos
De falso eterno que retornam para
Assassinar-nos num mês assassino.

(trecho de poema de Mário Faustino)

Les Bourgeois de Calais















A escultura de Auguste Rodin, representando os habitantes de Calais que se entregaram a Eduardo III para serem sacrificados em troca de o rei inglês poupar sua cidade, está no Victoria Park Gardens, bem ao lado do Parlamento, em Londres.

Aparentemente - segundo a Wikipedia -, há 13 cópias da escultura espalhadas pelo mundo. Havíamos visto uma delas no Museu de Arte de Basiléia, mas a de Londres está num lugar muito mais bonito. E as cores do outono no jardim fazem um belo contraste com a cor escura da estátua.















Abaixo, Somerfildo no Museu de Basiléia (Suíça), em meio aos burgueses de Calais.





9 de novembro de 2008

Eu moro em Hoxton há 81 anos e meio















Foto: 
Martin Usborne


Joseph (Joe) Markovitch vive em Hoxton há 81 anos e meio. Ele nasceu perto de Old Street, em 1° de janeiro de 1927. Ele se lembra de quando abriu o primeiro supermercado Tesco, nos anos 1920, em Bethnal Green, e tinha uma foto do filme My Fair Lady, e todo mundo usava chapéu. As pessoas não usam mais chapéu hoje em dia. Nem ele.

O fotógrafo londrino Martin Usborne avistou Joe pela primeira vez no verão de 2007, próximo a seu estúdio em Hoxton Square. Falou um pouco com ele, tirou umas fotos, achando que Joe era um mendigo ou bêbado, um tema excelente para um ensaio fotográfico. Começou a conversar com ele com mais frequência, e fotografou-o por meses, com a intenção de "ouvir a história de uma minoria negligenciada e aprender um pouco sobre os arredores de Hoxton". Acabou simpatizando imensamente com Joe e suas opiniões peculiares sobre as coisas.

O resultado desse encontro foi registrado em fotos, que mostram Joe em várias situações nos arredores de Old Street, além de objetos como chaves e rebites, que fazem ou fizeram parte da vida de Joe. E Usborne também foi anotando o que Joe falava, observações sobre a sua vida e a vida em geral. Com isso montou uma belíssima exposição de fotos dele e textos de Joe, misturando fotografia com sociologia, com um resultado supreendente.

A exposição ficou montada por apenas três dias, no Candid Arts Centre, atrás da estação de Angel (Islington), e eu tive a sorte de estar passando por ali num desses dias. E não me arrependi.